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Aqui tem Negócio Inovador: O uso de sondas térmicas na cura do agregado siderúrgico


Retroescavadeira atua em pilha de rejeitos
Inovação da Biosfera promete revolucionar a siderurgia | João Köhler/Biosfera

Por Henrique Hélcio Eleto, CEO da Biosfera


Utilizar sensores para analisar o solo é uma tecnologia já difundida na chamada agricultura de precisão. Foi a partir de um projeto que visava melhorar os resultados na produtividade da agricultura familiar que a Biosfera Soluções Sustentáveis, de forma pioneira, adequou a tecnologia para a análise do tempo de cura de um dos principais resíduos da siderurgia, o agregado siderúrgico (um coproduto resultante da escória de alto-forno ou Aciaria).


Esse coproduto possui diversas aplicações, como artefatos de concreto, tratamento de efluentes, base e sub-base para pavimentos de rodovia, corretivos de solo, entre outros. Mas, para se tornar útil, é necessário que o material passe por um processo de envelhecimento ou cura, para liberar componentes químicos que causam a expansão do agregado.


O processo atual é feito por meio da estocagem em pátios do agregado siderúrgico e a constante testagem laboratorial para saber se o material atingiu o tempo de cura. Além de manual, a execução desse processo pode levar de 6 a 9 meses. Isso porque são necessários estudos em laboratórios de parâmetros físico-químicos visuais, cálculos matemáticos, mistura da pilha de agregado por meio de pás carregadeiras e constante uso de água para atingir o nível exigido pelas normas para aplicação em pavimentos. Nesse sentido, o desenvolvimento de inovação que pudesse encurtar o processo e gerar economia para toda a cadeia siderúrgica tornou-se algo necessário e imediato.


Dessa forma, a Biosfera deu início à uma pesquisa e intitulou o desenvolvimento de TPSA5 (Thermal Probes for Steel Aggregate) - Utilização de Sondas Térmicas para Avaliação e Análise do Ponto de Cura do Agregado Siderúrgico. A aplicação de sondas traz significativas vantagens, aumentando a produtividade do processo ao reduzir o tempo de análise e mitigando os impactos ambientais, por meio da economia de água, energia, bem como o tempo médio das avaliações em laboratório e logística.


Pilha de rejeitos
Tecnologia reduz tempo de análise e aumenta produtividade | João Köhler/Biosfera

No caso específico do consumo de água, por meio de modelamento matemático da tecnologia, é possível medir com exatidão a temperatura e quantidade de água a ser gasta ao estimar o consumo, o tempo e o local exato onde há baixa umidade na pilha dos resíduos. Também é possível reduzir o uso das pás carregadeiras e o consumo de combustíveis e liberação de CO2 no processo.


Vim da Siderurgia e sei que muitas das inovações deixam de ser incorporadas ao processo pelo alto custo e baixa capacidade de absorção e resultados. No caso das sondas térmicas para análise do tempo de cura do agregado, o desenvolvimento, além de justificado, é necessário, apresenta resultado visível reduzindo o estoque desse coproduto e disponibilizando o material para pronta utilização de forma rápida e não-onerosa.


De onde surgiu a ideia


Em 2020, a Biosfera participou de um desafio de inovação para uma grande fabricante de chocolates com unidades de produção familiar espalhadas em todo território brasileiro. Com a intenção de encurtar o tempo médio da análise de solo e identificação das correções necessárias nos cultivos, a empresa desenvolveu tecnologia para mapeamento constante e em tempo real por meio de smartphones. À época, classificada e entre as finalistas, avançou com o projeto que trazia os indicadores de umidade, temperatura, salinidade e nutrientes que o solo necessita.


Foi a partir daí que surgiu a ideia de adequar a tecnologia para os clientes da siderurgia que também precisam dessa avaliação, resguardadas as peculiaridades do processo, com precisão para a cura do agregado siderúrgico.

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